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terça-feira, 5 de julho de 2016

O que é magia?

  Crowley disse que a magia é a ciência e a arte de provocar mudanças em conformidade com sua vontade. Mas que mudanças? Levitar uma pedra com a força da mente? Pode-se dizer que menos de 1% dos magistas atuais conseguem tal façanha, e explico o porquê.

  Magia, na melhor definição que Alan Moore deu é "A Arte". Magia como uma expressão artística mesmo, como um quadro, uma pintura, uma escultura, uma poesia, um desenho. Só que o objeto artístico é o próprio mago. Em outras palavras, a mudança que a magia provoca é subjetiva, sutil, simples. Nada de bolas de fogo, nada de atravessar paredes.

  Ora, mas não era isso a magia? Não. Isso é feitiçaria. É manipular elementos e leis naturais, alterar o código-fonte do mundo para seu próprio objetivo. Há quem discorde de mim. Há quem diga que essas coisas não são possíveis. Mas eu tenho minhas próprias ideias, e não acho que o mundo seja tão ordeiro como aparenta ser. Existe caos por aí. Existe coisas que nós nem podemos explicar ainda. E por isso chamo essas coisas de feitiçaria. Tais eventos podem ser feitos por um feiticeiro, ou por alguém com uma capacidade psíquica além do comum. Ou talvez um cientista que descobriu algo valioso. Não sei. Há coisas que não sabemos.

  Mas e a magia? E os magos das sociedades secretas, que se reúnem com seu robes negros e seus pentagramas na testa? Esses não são feiticeiros, são magistas, são magos. Esses reproduzem a Arte. Mas não são como pintores, nem escultores, nem desenhistas ou poetas. Sua Arte é diferente, embora seja semelhante a essas coisas.
  Magia é, como Crowley disse, a arte de provocar mudanças com sua vontade. Qualquer mudança. Qualquer. Se eu decido fazer arroz, e faço arroz, eu fiz magia. Se eu decido ir até o parque para apreciar as estrelas à noite, isso é magia. Estou fazendo tais coisas com minha vontade. Fabriquei uma mudança. O arroz cru se tornou cozido, e ganhei a experiência de ver estrelas à noite.
  E embora o leitor ache que tais coisas são banais para serem classificadas como magia (e são!), eu já me adianto para dizer que ele se esquece de um detalhe: do mago.

  Disse acima que o objeto artístico é o próprio mago, não uma coisa externa. Uma pessoa qualquer, que não tenha nenhum conhecimento de magia, pode muito bem cozinhar arroz, mas somente o mago pode fazer isso de maneira artística. Somente ele pode fazer magia com essa prática. Porque ele, acima de tudo, transformou a si mesmo nA Arte.
  Se magia é a arte de causar mudanças, então o mago causa mudanças em si mesmo, e tudo que ele fizer será sagrado, será mágico. Pois tudo que ele fizer será pela Sua Vontade. Nada de vícios, ou hábitos, ou "caminhar por aí distraído". O mago sente cada momento, sente cada sabor, ouve cada som... O mago vê magia em tudo, pois tudo que ele faz é magia. Ele não precisa mais fazer rituais elaborados para entrar em contato com seu SAG, basta pensar nele. Ele não precisa mais tirar cartas do tarô para saber o fluxo de eventos, basta buscar respostas na sua intuição. Ele não precisa mais se sentar em lótus para meditar, basta estar lúcido.

  O mago é o produto final de sua arte, e uma vez que tenha se tornado assim, ele não faz mais magia, pois todo ato que ele sequer faça, é magia.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Manual básico do Psiconauta II - Meditação

Se você chegou até aqui, deve ter vindo através da outra postagem que fiz sobre como ser um psiconauta. Abordo os exercícios mais básicos que todo psiconauta deve saber. E claro, o próximo passo é a meditação profunda.
Esse poderia muito bem ser o primeiro, mas se fosse, certamente que iria desencorajar muitos aspirantes. Meditar pode ser muito tedioso para um praticante que começou há pouco tempo. Sentar, respirar fundo, se concentrar... Poucos são os que conseguem facilmente de início. Por isso coloquei logo os sonhos lúcidos. Mas meditação é o mais importante, é o pilar principal do psiconauta. É por ela que o navegante da psiquê pode aprender mais sobre si mesmo, a controlar seus problemas emocionais e mentais, e a desenvolver capacidades psíquicas afloradas.

Não há um meio correto para se meditar. Basta sentar e se concentrar em algo por um tempo constante. Pode se concentrar na sua respiração, no seu corpo, nos seus pensamentos. O importante é manter o foco no objeto concentrado. Se o psiconauta conseguir se manter assim por um tempo considerável, deve considerar um sucesso. Cinco minutos de começo está bom. Vá prolongando com a prática. Só pratique todos os dias, e anote os resultados em um diário apropriado. O psiconauta descobrirá por si só os benefícios da prática constante.

E para melhorar, deixo um vídeo longo do Timothy Leary, um psiconauta famoso. O vídeo fala por si próprio. Deixe a mente fluir.



quarta-feira, 16 de março de 2016

"Como foi a imaginação que criou o mundo, ela o governa" - Charles Baudelaire

Quem veio primeiro? Essa pergunta é o cerne de muito papo filosófico por aí. A verdade é que ninguém
sabe com perfeição sobre tais questões. Tudo que nos resta é teorizar sobre, vendo àquelas que são mais palpáveis com a nossa realidade atual.

Muito se fala de um criador do universo. "É Deus, mamãe". Deus fez tudo, fez todas as coisas. Deus criou o mar, a terra, os homens, o livre-arbítrio. Deus criou a ideia, o pensamento, o questionamento. Deus criou a dúvida. Mas quem criou Deus? Ele mesmo? Ou ele já existe? O que há antes dele? Nada?

A evolução natural explica que todas as coisas vieram de outras, que vieram de outras. Uma coisa sempre "se transformando" em outra coisa. Elementos químicos tentando buscar sua estabilidade, acabam por soltar soltar prótons no meio - e muitas vezes transformar prótons em nêutrons e nêutrons em prótons - e terminam por virarem outros elementos. Um Chumbo (Pb) instável no ambiente, ao liberar uma partícula Alfa, termina por 'se transformar' em Mercúrio (Hg). O ciclo não termina. E se voltarmos lá atrás, no famoso 'Big Bang', veremos que tudo que existia era energia condensada num único ponto. Não há espaço para um 'deus' nessa situação. Todas as coisas acontecem de forma completamente natural, de acordo com as leis que temos no universo.

Só que ainda não podemos descartar a ideia de Deus tão facilmente, pois há centenas de milhares de pessoas que acreditam em um deus - não somente o deus cristão. De onde ele veio? Algum cético-ateu se contentaria em dizer que essa ideia de deus foi apenas uma solução elegante para justificar e explicar tudo que existe. Porém eu não acho que seja tão simples.

Veja: Há pessoas que acreditam cegamente numa ideia abstrata - como deus -, isso é um fato. Porém você não pode generalizar. Não só eu, mas muitos por aí já tivemos experiências empíricas de forças e seres que não podem - atualmente - serem explicados por nossa ciência ortodoxa. Ora, de onde veio Exú Caveira? De onde veio Ashtar Sheran? De onde veio o Monstro do Espaguete Voador?
Alguns podem afirmar que tais seres existem em uma realidade paralela à nossa, e que não participam das mesmas leis físicas.
Ok, é uma explicação, mas ainda não me responde.

Pra mim tais seres - e tudo que é sobrenatural e até mesmo natural - vieram da nossa imaginação.
Não entenda errado. Não estou dizendo que, ao imaginar uma coisa, você automaticamente a cria. Embora essa afirmação seja verdadeira em muitas correntes ocultistas, uma simples imaginação não é capaz de criar algo fixo no mundo, é preciso considerar muitos outros elementos.
Falo aqui de uma imaginação coletiva, de algo que acabe por cair na mente de muitos - como um meme de internet, embora esse exemplo seja tosco.

Carl G. Jung costumava dizer que os famosos discos voadores nada mais eram que uma re-leitura dos mitos antigos. No passado, os deuses antigos eram representados com discos solares que eram brilhantes e ardiam em chamas. Hoje temos coisas semelhantes, mas com uma  pitada de tecnologia, bem à moda e ao estilo da nossa atual era atômica.
O que ele quis dizer foi que nossos mitos e 'coisas sobrenaturais' mudaram à medida em que nossa sociedade também mudava. Uma perfeita evolução natural [lembrando que evolução natural não trata do mais forte ou melhor, e sim do mais apto para o meio] de nossos mitos.
Ainda na pegada de discos voadores e E.T.s, podemos considerar outro fato: sempre que saia um filme famoso sobre alienígenas no mercado, rapidamente aparecia relatos de pessoas que viram e avistaram seres semelhantes aos do filme. Isso para os céticos é uma evidência forte de que as pessoas estão inventando tudo, mas pra mim é uma evidência forte de que a mente coletiva cria e molda a realidade.

Então retomando o ponto inicial. Quem criou Deus? Nós, com nossa imaginação.
Isso pode parecer complexo para alguns, então vou tentar explicar colocando nomes aos bois.
Vamos separar duas coisas, dando nome de "Forma" e "Caos".

Todas as coisas existem no Caos. O Caos pode ser comparado ao Big Bang, um mar de possibilidades e energia concentrada.
A Forma é a matrix. A coisa que dá forma e substância ao Caos.
Deus existe e sempre existiu, mas no Caos. Quando o homem teve tempo para pensar e formular teorias de como o universo foi feito, ele criou Deus. Isto é: ele tirou Deus do Caos e deu uma Forma para ele. Assim Deus passou a existir no mundo da Forma - que é o nosso.
Sempre houveram por aí "coisas" pelo céu, voando e o escambau. Mas tais coisas nunca apareceram no nosso mundo, porque não havia uma Forma para elas aqui. Assim que começou a era atômica, as tecnologias absurdas e o 'medo' de invasores do espaço (vide obras de H.P.Lovecraft), nós demos uma Forma para tais seres, e agora eles podem se manifestar.

Usando termos Junguianos, acho que posso dizer que o Caos à qual me refiro é o 'Arquétipo', e a Forma é a 'Casca'.
A Forma ou a Casca muda de cultura para cultura, de época para época, de situação para situação. Seguindo os moldes da evolução natural deste mundo.
Já o Caos ou o Arquétipo são o cerne de tudo, e são imutáveis, podendo ou não se manifestarem aqui.

Puxando para um lado ocultista: Quando você imagina, você cria uma casca, e essa casca tenderá a ser preenchida por uma energia (Caos). Imaginar é criar coisas, sempre!
Quando alguém pensou em criar uma cadeira, ele imaginou todo o design da cadeira de madeira (Forma), mas a ideia original era ter um local para sentar e relaxar (Caos). Nós temos cadeiras, bancos, cama, divã... Todas essas coisas tem o mesmo Caos-Arquétipo, mas com diferentes Formas-Cascas.

Nós não criamos as coisas propriamente, nós apenas damos forma à elas. Somos co-criadores.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Manual básico do Psiconauta I - Sonhos Lúcidos

  Inicio aqui uma série de postagens que queria fazer há muito tempo, mas que não sabia por onde começar. A ideia é criar um manual prático de como se tornar um psiconauta - isto é, como ser um navegante da psiquê.
  Astronautas estudam durante anos, passam por uma série de treinamentos e aguardam ansiosamente para ir ao espaço. O conhecimento popular nos diz que os astronautas são aquele povo que vive dando cambalhotas em gravidade zero, usam roupas esquisitas e vivem falando: "Como a terra é linda!". Mas isso é só uma pequena parte do seu trabalho. Um astronauta é, acima de tudo, um cientista. Ele não está no espaço pra ficar brincando. Ali ele tem que cumprir uma série de tarefas na estação espacial. Desde manutenção da nave até pesquisas e testes.  Por causa do ambiente completamente diferente do encontrado na Terra, muito se pode aprender lá em cima sobre biologia, física e química, por exemplo. Na estação espacial é realizado pesquisas com plantas, com fogo, e muitas outras coisas, que podem ser encontradas aqui. Nada é por acaso, nada é de graça. Estudando coisas no espaço nós podemos acelerar em muito nossa noção do universo que nos cerca, com muito mais velocidade e exatidão do que só estudar aqui na Terra. A informação somada dos dois ambiente é extremamente preciosa para a raça humana - e isso é prova o suficiente para dar um "tapa na cara" daqueles que acham que viagem espacial é inútil, pois tais pesquisas podem ajudar a curar um câncer, por exemplo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Todos os caminhos levam à Roma

Caminhantenão há caminhofaz-se caminho ao caminhar.

  Gurus, mestres, professores e guias. Todos eles nos ajudam na nossa jornada pessoal. Todos tem sua própria jornada e experiência - e é inevitável que essa experiência pessoal acabe refletindo nos discípulos.
  Por mais sincero e neutro que algum mestre seja ele sempre vai ser tendencioso para as próprias crenças, sempre! Não se engane jovem padawan... Alguém que sabe magia mas tem fortes valores espíritas vai sempre ser inclinado para tal. Isso não é errado, é apenas a natureza interior da pessoa. Dentro do caminho que ele segue, pode ser perfeitamente bom misturar as duas coisas - só que é bom para ele. Será que é bom para todos? O que ele come a prato pleno, pode muito bem acabar sendo o seu veneno (o seu, não dele). 


  O que você deve ter em mente é que o caminho que ele escolheu não precisa ser exatamente o seu caminho! Na verdade é impossível que o caminho de alguém seja o caminho de outro.
  Ora, nós somos seres únicos. Em toda história da humanidade, tanto a que já aconteceu quanto a que vai acontecer; Em toda a história jamais houve alguém como você! Cada pessoa é exclusivamente especial e tem seu próprio caminho a ser seguido. Cabe a cada um de nós descobrir.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Um detalhe sobre as cores.


Recentemente saiu uma notícia um tanto interessante sobre as cores, em especial a cor azul: Ninguém enxergava a cor azul até os tempos modernos. Isso é curioso, pois a forma como vemos e entendemos o mundo se dá por nossa linguagem. Pessoas surdas, se não tiverem nenhum estudo de linguagem de sinais ao longo da vida, podem ser diagnosticas com problemas mentais, pois as mesmas acabam não tendo noção de tempo abstrato (dia de amanhã, por exemplo) e até acabam não conseguindo entender o que são objetos, como livros - pois não há um código para aquilo em suas mentes.

No caso da cor azul, como não havia uma palavra pra ela as pessoas não a viam. Claro, o céu é azul, como sabemos, mas só sabemos porque temos um código para cor azul. Recentemente o sabor "umami" foi adicionado à lista ocidental de sabores, pois só era considerado o doce, salgado, amargo e ácido.

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