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segunda-feira, 21 de março de 2016

Poema "Se", de Rudyard Kipling

Para celebrar o dia mundial da poesia, coloco esta, que representa parte do meu estado de espírito atual:


Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Oito de moedas

Ok,ok. Disse que não postaria nada até ano que vem, mas regras são frequentemente quebradas - desde que seja por uma boa intenção. E não gosto de deixar uma grande lacuna aqui. Então só vou deixar isso aqui e sair de fininho.
É um pequeno poeminha que escrevi. Ainda sou novo nisso, e estou lapidando essa prática aos poucos. Apenas senti que deveria postar.

---

A chama me chama
"Levanta da cama, e vem praticar"
Eu tento, e desisto, depois eu persisto, mas volto a tombar.

Andarilho do mundo profano
Preso, enrolado no pano
Do seu próprio acorrentar

Mosca grudada na teia
Esperando a hora da ceia
E ninguém pra lhe soltar

Lamento os meus próprios erros
Choro, escrevo um texto
Tentando me justificar

E em meio a tanta agonia
Sonho com sonhos de magia
E acabo por me motivar

Só me resta, por agora
Ainda que caia, falhe, desista ou piore
Provocar meu despertar.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

The Fifth of November

Remember, remember! 
    The fifth of November, 
    The Gunpowder treason and plot; 
    I know of no reason 
    Why the Gunpowder treason 
    Should ever be forgot! 
    Guy Fawkes and his companions 
    Did the scheme contrive, 
    To blow the King and Parliament 
    All up alive. 
    Threescore barrels, laid below, 
    To prove old England's overthrow. 
    But, by God's providence, him they catch, 
    With a dark lantern, lighting a match! 
    A stick and a stake 
    For King James's sake! 
    If you won't give me one, 
    I'll take two, 
    The better for me, 
    And the worse for you. 
    A rope, a rope, to hang the Pope, 
    A penn'orth of cheese to choke him, 
    A pint of beer to wash it down, 
    And a jolly good fire to burn him. 
    Holloa, boys! holloa, boys! make the bells ring! 
    Holloa, boys! holloa boys! God save the King! 
    Hip, hip, hooor-r-r-ray!

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Eu não concordo com Guy Fawkes histórico. A sua 'revolução' tinha como ideal retirar um governo X para colocar Y. Pra mim é trocar seis por meia dúzia. A idéia mesmo é sobre a história em cima da história; sobre V - dos quadrinhos de Alan Moore. Ele sim representa o anarquismo em sua forma mais bela. E é sobre ele e para ele essa homenagem.



domingo, 4 de outubro de 2015

Pensamento abstrato colocado em ordem



Caminho sozinho, contigo ao meu lado
Me guiando, me preparando, me polindo.
Não sei se estou voando ou se estou levitando
Só sei que não estou caindo.

O som do vento em meus ouvidos canta
E escuto o verbo gritar.
Palavras secretas dançam em minha frente
E de repente começo a me transformar.

A lua cheia brilha bem longe
Enquanto o bem e o mal, em equilíbrio, dança
No deserto, um camelo carrega um monge
Que expressa o semblante de uma criança

Girando, entro na bolha
Que se nutre no interior da terra
A gestação vai bem rápida, como um cometa
E minha pressa logo se encerra.

Cresço, vivo e me construo
Como os muros de um castelo
Com torres bem altas que tocam o céu
Sob o brilho do sol amarelo.

Um dia, o monge retorna
Trazendo consigo a chave do paraíso.
Para tê-la é preciso esforço
E me entrega, com um sorriso.

Diz que terei que fazer uma escolha
Que irá destruir metade de mim
Como um caminho cortado ao meio
Onde se não consegue ver o fim.

Então parto, em minha aventura
Mesmo sem saber onde vai dar
Prendo o zodíaco em minha cintura
E cavalgo em direção ao luar.

Na jornada, encontro um leão
Um reflexo do meu desejo
Perfuro-o com minha lança em seu coração
E visto sua pele em um ansejo.

Adiante, o monge retorna
Vestido feito um mendigo
Me avisa que aquilo era uma provação
E que no futuro me aguarda um castigo

E eu sigo, pelos meses adentro
Esperando o meu destino chegar
Com o tempo, gasto dinheiro
E vejo a minha sorte girar

Mas o castigo vem à cavalo
Rápida, como uma espada leve
Sou preso, acusado de matar o leão
No inverno, embaixo de neve.

Algemado, sou pendurado em um poste
Sob o frio gelado da noite
Ao longe, escuto os homens chegarem
Um deles carrega um açoite

Morri, renasci e morri outra vez
Tantas vezes que nem sei mais contar
Quando acaba, só sobrou pedaços de mim
Os pedaços que tentei juntar

Me deram um remédio sagrado
Feito de fogo, água e mel
Respiro fundo e tomo de uma vez
A sensação é de entrar no céu

Mas claro, o que é bom dura pouco
E fui jogado na prisão
Um cubículo com teias de aranha
Um limite para a minha visão

Um dia, um raio cai no chão
E toda a terra tremeu
O fogo se espalha lá dentro da prisão
E o que me prendia, desapareceu

Corri apressado pra fora
Guiado por uma luz brilhante
Era uma estrela, distante no céu
Que deixava um rastro flamejante

Me deparo numa floresta escura
Com a lua cheia, e um lobo a uivar
Vejo meus medos dançarem em minha frente
E uma sombra escura a se aproximar

De repente uma luz se acende
Era o monge, com uma aura dourada
Ele sorri, com seu rosto de criança
E me mostra o motivo de minha jornada

Vejo um espelho diante de mim
E uma serpente emplumada subir minha coluna
Vejo o monge refletido no espelho
Eu sou ele, sem qualquer lacuna.

O tempo todo eu era o monge, e não sabia
Mas o tempo em si, não existe
Retorno pra casa, agora completo
Junto com a serpente, que tudo assiste.


---

Escrevi isso como um exercício. Não ficou exatamente como imaginei, mas ficou aceitável. Vou deixar aqui como registro de meus esforços. É mais difícil do que parece escrever algo assim, fiquei dias reparando, aprimorando esse 'poema'. Mas acho que valeu o esforço, pelo menos por agora. E se você não entendeu bulúfas do que está escrito no poema... Bem, boa sorte ao ler novamente. :)

domingo, 12 de julho de 2015

O Livro dos Amantes



Glorifiquei-te no eterno. 
Eterno dentro de mim 
fora de mim perecível. 
Para que desses um sentido 
a uma sede indefinível. 

Para que desses um nome 
à exactidão do instante 
do fruto que cai na terra 
sempre perpendicular 
à humidade onde fica. 

E o que acontece durante 
na rapidez da descida 
é a explicação da vida. 
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